Schulz critica reformas<br>de Schroeder
Embalado pelas sondagens, o cabeça-de-lista social-democrata às próximas eleições legislativas na Alemanha, Martin Schulz, não hesitou em criticar as reformas impulsionadas em 2003 pelo último chanceler do seu partido, Gerhard Schroeder.
Referindo-se à famigerada «Agenda 2010», que desmantelou uma boa parte do «estado social» alemão, Schultz rompeu o tabu e admitiu que «também nós cometemos erros», segundo declarou num discurso na passada semana.
Procurando recuperar o eleitorado que antes confiava no partido social-democrata (SPD), cada vez mais alheado dos problemas das classes populares, Schulz promete emendar tais «erros», propondo um programa com um forte conteúdo social.
Sem abjurar tudo o que os seus predecessores fizeram, o candidato do SPD reconhece «excessos» que contribuíram para dilacerar o tecido social. Fala de pessoas com 50 anos de trabalho que temem cair na miséria se perderem o emprego. E garante que respeitará os que «prestaram serviço ao nosso país durante toda a sua vida».
Para atrair as camadas mais desfavorecidas, Schulz desfralda a bandeira da justiça social: defende o alargamento do prazo do subsídio de desemprego, a fixação de uma pensão de reforma mínima e o combate aos contratos temporários.
Qualificado à direita de «socialpopulismo», o novo discurso do SPD é saudado pelos sindicatos e sectores da esquerda, esperançados numa mudança política favorável às massas populares.