Schulz critica reformas<br>de Schroeder

Embalado pelas sondagens, o cabeça-de-lista social-democrata às próximas eleições legislativas na Alemanha, Martin Schulz, não hesitou em criticar as reformas impulsionadas em 2003 pelo último chanceler do seu partido, Gerhard Schroeder.

Referindo-se à famigerada «Agenda 2010», que desmantelou uma boa parte do «estado social» alemão, Schultz rompeu o tabu e admitiu que «também nós cometemos erros», segundo declarou num discurso na passada semana.

Procurando recuperar o eleitorado que antes confiava no partido social-democrata (SPD), cada vez mais alheado dos problemas das classes populares, Schulz promete emendar tais «erros», propondo um programa com um forte conteúdo social.

Sem abjurar tudo o que os seus predecessores fizeram, o candidato do SPD reconhece «excessos» que contribuíram para dilacerar o tecido social. Fala de pessoas com 50 anos de trabalho que temem cair na miséria se perderem o emprego. E garante que respeitará os que «prestaram serviço ao nosso país durante toda a sua vida».

Para atrair as camadas mais desfavorecidas, Schulz desfralda a bandeira da justiça social: defende o alargamento do prazo do subsídio de desemprego, a fixação de uma pensão de reforma mínima e o combate aos contratos temporários.

Qualificado à direita de «socialpopulismo», o novo discurso do SPD é saudado pelos sindicatos e sectores da esquerda, esperançados numa mudança política favorável às massas populares.

 



Mais artigos de: Europa

Cortes contraproducentes

O instituto de investigação económica alemão (DIW) concluiu que a política de austeridade aplicada entre 2010 e 2014 foi «contraproducente» agravando a recessão.

Conflito aceso

O governo conservador de Espanha provocou uma escalada no conflito com os estivadores, aprovando, dia 24, sem consenso, a polémica reforma da actividade de estiva.

O negócio dos resgates

Quem tem lucrado com os multimilionários resgastes da banca? A resposta é revelada no último estudo do Transnational Institute (TNI), divulgado dia 22. O trabalho, assinado por Sol Trumbo Vila e Matthijs Peters, recorda que, entre 2008 e 2014, os vários estados da União Europeia...

«O futuro da UE»

Passam este mês sessenta anos sobre a assinatura do Tratado de Roma, tido como o acto fundador do processo de integração capitalista europeu. A data redonda presta-se, está bom de ver, a onda celebratória a condizer. Mas nem as doses maciças de propaganda com que a CEE/UE foi...